As Confidências (As Duas Mulheres com o Bouquet) by Fernand Léger - 1921 - 92,1 x 64,8 cm coleção privada As Confidências (As Duas Mulheres com o Bouquet) by Fernand Léger - 1921 - 92,1 x 64,8 cm coleção privada

As Confidências (As Duas Mulheres com o Bouquet)

Óleo sobre tela • 92,1 x 64,8 cm

  • Fernand Léger - 4 de Fevereiro, 1881 - 17 de Agosto, 1955 Fernand Léger

    1921

No quadro de hoje, vemos duas jovens elegantemente vestidas, inclinadas uma para a outra — uma postura que faz com que os seus corpos quase se fundam à medida que trocam confidências. Uma das figuras está voltada diretamente para o espectador, enquanto a outra está de perfil, inclinando-se para a companheira com o intuito de lhe sussurrar um segredo. Embora o espaço circundante seja animado pela conjugação de cores arrojadas e formas geométricas (um elemento característico de Léger) — sugerindo um interior cuidadosamente decorado com plantas e um piano —, o foco emocional da composição está firmemente assente na interação íntima das mulheres, uma afirmação silenciosa da sua proximidade e afinidade.

No outono de 1949, o presente quadro foi incluído na retrospetiva histórica de Léger no Musée National d'Art Moderne, em Paris; pouco tempo depois, foi oferecido à sua cunhada, Yvette Lohy, após a morte da primeira esposa do pintor, Jeanne. A obra, que contém no verso a inscrição «Para Yvette, em memória da sua irmã Jeanne», é uma homenagem profundamente pessoal, refletindo o vínculo duradouro entre as duas irmãs — um vínculo que Léger observou repetidamente ao longo dos seus 30 anos de casamento.

Executada no estilo figurativo característico de Léger do início da década de 1920, a obra As Confidências revela a profunda transformação que a sua arte sofreu após a Primeira Guerra Mundial. Depois de servir na linha de frente e de passar três anos afastado da pintura, Léger retomou a sua prática com uma clareza e uma convicção renovadas. Encarou a guerra como uma rutura definitiva com o passado, algo que marcava o início de uma nova realidade — uma realidade moderna e intransigente. Rejeitando o requinte decorativo e a subtileza atmosférica, privilegiou as cores puras e localizadas e as formas monumentais com a plena confiança de que tinha finalmente encontrado a linguagem visual que procurava.

Esta transformação coincidiu com o mais amplo rappel à l'ordre (o «retorno à ordem») do pós-guerra que varreu a arte europeia e que promovia a clareza, a estrutura e a contenção clássica. Embora tivesse inicialmente oferecido resistência a tudo o que parecesse retrógrado, Léger depressa reconheceu que alguns aspetos deste movimento podiam efetivamente alinhar-se com os seus próprios objetivos. A sua obra do início da década de 1920 cria assim uma síntese entre tradição e modernidade, unindo a solidez clássica aos ritmos visuais da vida contemporânea.

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