Vários tipos de conchas, incluindo uma grande amêijoa gigante, estão espalhadas por uma praia vasta e deserta. As sombras profundas que essas conchas projetam na areia revelam a intensidade da luz solar que incide sobre elas. Acima da praia, não se vê uma única nuvem no vasto céu azul claro. Entre este céu e a costa arenosa encontra-se uma estreita faixa de oceano, com águas de um azul profundo e tranquilo. É uma cena comum e nada extraordinária de um recanto tranquilo à beira-mar, mas os elementos afirmam a sua presença com uma clareza quase avassaladora. O mundo resultante está imbuído de uma quietude misteriosa e de uma sensação de transparência, como se pertencesse a outro reino completamente diferente.
O artista, Kotaro Migishi, pintou esta obra aos 31 anos, o ano em que morreu, tendo vivido uma vida curta, mas intensamente apaixonada. Talvez as várias conchas abandonadas na areia reflitam o próprio artista. «As conchas nas dunas de areia são conchas sem vida», escreveu Migishi num poema incluído em Borboletas e Conchas, uma coleção de gravuras publicada nesse mesmo ano. As conchas sem vida, a praia seca e a luz ofuscante que transborda pela tela refletem fortemente o sentimento de niilismo do artista, bem como o romantismo que serviu como contrapeso emocional.
Embora tenha vivido a vida com intensa paixão, como se pressentisse a sua morte prematura, uma alma delicada e sensível de poeta sempre existiu no fundo do coração de Migishi.
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Kotaro Migishi