Esta pintura de 1900, da autoria do artista neerlandês Jan Toorop, recorre a uma técnica pontilhista moderna para retratar uma mulher verdadeiramente moderna: Marie Jeannette de Lange. Nascida em Jacarta em 1865, onde o seu pai trabalhava como engenheiro, Marie Jeannette mudou-se para os Países Baixos aos 22 anos com o seu primeiro marido. Em Amesterdão, integrou-se nos círculos artísticos da cidade, associando-se a figuras como George Hendrik Breitner e Isaac Israels. Mais tarde, fixou-se em Haia, onde Toorop a pintou em pé diante da sua casa.
Na altura do retrato, Marie Jeanette era presidente da Associação para a Melhoria do Vestuário Feminino e participante ativa no Movimento de Reforma, que defendia roupas largas e higiénicas que permitissem às mulheres maior liberdade de movimentos. Inspirado em parte pelas "bloomers" americanas do século XIX, o movimento atraiu o apoio de feministas, reformadores sociais e profissionais da área médica. A sua principal preocupação eram os riscos para a saúde representados pelo espartilho, cujo laço apertado restringia a respiração e os movimentos e cuja estrutura pesada exercia pressão sobre o corpo.
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P.P.S. A evolução do papel da mulher na arte moderna e na sociedade reflete-se também nos nossos conjuntos de postais Artistas Femininas e Artistas Femininas vol. 2: 50 Postais, que apresentam artistas inovadoras de toda a história da arte.