Como hoje é domingo, continuamos a apresentar as obras-primas da coleção do Lenbachhaus. Aproveite! :)
Vemos três lavadeiras extenuadas pelo trabalho árduo que executam em silêncio. À direita, a figura de uma menina sugere, presumivelmente, a continuidade intergeracional deste trabalho. As quatro existem nas suas próprias esferas; Werefkin não indica se a cena se passa na Lituânia rural, onde vivia a sua família, ou no sopé dos Alpes da Baviera, onde a artista pintava desde cerca de 1907. Seja como for, o trabalho árduo é igual em toda a parte.
O que chama a atenção é a paleta, que combina cores puras com cores fortemente misturadas. A poetisa Else Lasker-Schüler escreveu num poema comemorativo: «A alma de Marianne e o seu coração rebelde gostam de brincar com a alegria e a tristeza em simultâneo, afinal costuma pintar a melancolia em tons chilreantes».
Em 1909, quando Werefkin pintou este quadro, já tinha percorrido um longo caminho. Era uma filha abastada da aristocracia russa, tendo estudado com Ilya Repin na década de 1880. As representações naturalistas dos camponeses pobres da autoria de Repin despertaram nela um interesse duradouro.
Através de Repin, a pintora foi apresentada a Alexej von Jawlensky. Durante cerca de uma década, dedicou-se resolutamente a fomentar o seu desenvolvimento criativo. Mudou-se para Munique com Jawlensky e levou-o várias vezes a França. O seu salão em Munique tornou-se um centro de debate sobre a «arte do futuro». Após muitos anos, Werefkin voltou a pintar, mas adotou um estilo diferente. Começou por criar esboços em guache e lápis de cor e, por volta de 1907, começou a pintar em têmpera.
P.S. Explore a extraordinária coleção do Lenbachhaus através dos olhos das pessoas que trabalham no museu. Eis a seleção da equipa do Lenbachhaus!
Marianne von Werefkin